30/08/2009

O beijo do Vampiro



Numa tarde escura, a lua já apontava seu brilho e as luzes da cidade se acendiam sem alarde. Um silêncio, um mistério, pairava sobre sereno frio e nostálgico que vinha do sul agoniando meus pensamentos.

Em meu quarto, sentia a chuva se aprontando para dar seus primeiros sinais de chegada, uma brisa fria anunciava uma noite deserta em meu lençol aquecido por meu corpo que o cobria.

Inquieta e sonolenta, deixei-me levar pausando os momentos alucinantes, sobrepondo o real no imaginário, abrindo o portal de uma viagem mística, como chamam de “viagem astral”.

Somente a luz da Lua cheia iluminava meu quarto escuro e o som do vento faziam melodia entre as árvores de vista a janela meio aberta.

Quando ouço lá do fundo dos meus sonhos reais um barulho, um ruído, sem forças para me levantar como se estivesse enfeitiçada permaneci quieta, embriagada desta noite alucinante.

O barulho aumentava como se alguém me aproximasse, senti meu coração acelerar, minha pele arrepiar e o colchão afundar. Uma brisa fria me descobria, com início em meus pés, subindo como se fosse uma mão suave tocando meu corpo.

Eu, sonolenta, não sabia distinguir entre o medo e o desejo, parecia que meu temor o atraia e meu desejo o seduzia, meu corpo quente entre aquele corpo frio me confundia, a única lucidez que em mim havia era de não querer que essa sensação terminasse.

Em seguida senti uma pressão em meus lábios, um beijo inexplicável e apaixonante , logo após em meu pescoço uma mordida suave e envolvente, o saciando a vontade de sugar o meu sangue que se escorria por minha veste vermelha de seda. Deixei matar sua sede, seus desejos, até o ultimo gole que o acalmava.
Ao abrir meus olhos, deparei-me com os dele, verdes e serenos, olhei em seus lábios vermelhos de meu sangue, passando a língua entre os dentes com um ar faceiro, sua pele branca e fria, o realçavam entre seus cabelos negros.

Já não tinha mais forças para perguntar qual o seu nome, de onde viera, porque me possuíra.. enquanto se afastava em direção a janela e me deixara.

Adormeci com a sensação de êxtase e angústia por ter ido embora e deixado-me com o néctar de querer mais uma vez sem saber lhe encontrar.

Amanheceu e acordei com meus dentes afiados com um único desejo, que à noite venha a calhar e devolva esta sensação enigmática de emoção e prazer, pois minha sede é somente de seu corpo.

Todas as noites minha janela se encontra aberta, esperando seu retorno..