06/05/2012

Se há amor, ainda há historia

Era uma tarde chuvosa, o dia já estava terminando quando o telefone toca, eu atendo e ninguém me responde. Há tempos, quase todos os dias no mesmo horário, principalmente quando chove, as ligações e reações se repetem no dia.

Hoje consegui ouvir um suspiro, como se, finalmente, fosse falar algo, mas em seguida desligou. Veio-me na mente algumas lembranças, mas nada que me faça ter certeza ou suspeitas de um único alguém. Pensei: Talvez a chuva fosse algo significativo, descartaria alguns e ressaltaria outros. Enfim, sai de cena, continuei meus afazeres e depois fui tomar um banho no intuito de encontrar alguns amigos mais tarde.

Me arrumei, quando estava pra sair de casa fui atalhada pela lembrança do telefonema. Senti que o telefone tocaria novamente, como se eu estivesse esperando mais uma ligação. Ao mesmo tempo fiquei tentando lembrar quem era o dono daquela respiração, quase que expressiva. Realmente alguém fazia isso, mas quem?!

Como previ, o telefone tocou novamente, desta vez eu atendi sem dizer nada. Do outro lado a pessoa também não dizia nada, então ficamos assim por alguns segundos até eu ouvir novamente aquele suspiro e desligar.

Desta vez eu senti uma necessidade enorme, quase incontrolável, de saber quem era. Senti saudade também, saudade de alguém que não via há muito tempo. E por lembrar-me desse alguém, me recordei que tomamos vários banhos de chuva em certas ocasiões imprevistas e inevitáveis. Eu ri sozinha..

Por um minuto pensei em ser a mesma pessoa, mas passou logo que me lembrei do término do nosso relacionamento. Se naquela época o que sentíamos não superou a distancia que morávamos, não ia ser agora que mudaria algo. Creio que ainda moramos em cidades diferentes. Não, não pode ser, pensei..

Senti tristeza, vontade de chorar. Eu não queria me lembrar de uma época que meus desejos foram interrompidos por uma distância tola e que nos coagiu a terminar algo que poderia ser tão bonito. Uma época difícil que tive que reprimir o amor que eu sentia e inventar um caminho até eu me estabilizar. Eu o amei de mais em pouco tempo de convívio.

A chuva passou, peguei meu carro e sai sem rumo. Já havia me esquecido do encontro com os amigos, já não tinha ânimo também, continuei andando em círculos até eu me acalmar da saudade que tinha ali comigo. Em meio às ruas por onde entrei me dei conta que estava fazendo o mesmo caminho que fazia no passado para encontrá-lo em dias de sol. Quase como um impulso continuei até o canto da cidade que dá acesso ao lugar que podemos ver toda a cidade. Um lugar lindo.

Ao sair do carro, andei até uma árvore onde demos nosso primeiro beijo. Senti calafrios, desespero, tristeza, um nó na garganta.. Lembrei-me de coisas que tinha guardado há um bom tempo em meu subconsciente, obstando o consciente recordar.  

Sai depressa daquele lugar que fazia meus olhos lacrimejarem, após ouvir o som do trovão anunciando a chuva, e voltei pra meu carro. Meu celular tocou e eu, com voz embargada mal conseguindo dizer um simples “alô”, respirei fundo e, antes que eu dissesse algo, a voz que eu mais almejava ouvir ao mesmo tempo não esperava, me dizia pra eu não ir embora.  

Everson? Respondi eu ainda desluzida do momento. Ele me disse que em 10 minutos descia de seu apartamento para me encontrar. Apartamento? Pensei ainda estonteada. Dez minutos mais demorado de minha vida, quando o vejo caminhando em minha direção. Reconheci aquele corpo, aquele jeito de andar de longe, era ele mesmo..

Ao chegar perto ele me disse que se mudou para a minha cidade, comprou um apartamento que dá vista aquela árvore. O único condomínio favorável a aquela vista. Perguntou-me porque ainda não tinha trocado de carro e números de telefone. Eu mal respondi a primeira pergunta, ele tocou-me o rosto e me beijou sem pedir permissão.

Eu, correspondendo aos seus gestos, senti o lugar esquentar, percebi o canteiro de flores ao lado da nossa árvore, as luzes da cidade estavam tão lindas como nunca e começou a chover.. Eu me entreguei mais uma vez, dei uma chance para mim, que tanto ainda o amava.
Priscila Rodrigues.


2 comentários:

Lynce disse...

E para quando o casamento?
:)))

Priscila Rodrigues disse...

Não me fales em casamento que sinto alergia, meu querido.. rs. É apenas uma estória imaginada.

Bjos.