15/08/2010

O patrão nosso de cada dia..

Ainda hoje não consegui descobrir se meu patrão gostava de mim ou apenas gostava do meu trabalho. Talvez de nenhum dos dois. Se eu era eficiente, encontrava um defeito escondido entre as tarefas. Se cometia um deslize, parecia ter inaugurado uma tragédia nacional.

Trabalhar para ele era um exercício diário de fé. Fé de que o expediente terminaria no horário. Fé de que o salário viria completo. Fé de que o holerite faria algum sentido.

Nunca fazia.

Todo mês eu me sentava diante daquele papel tentando decifrar descontos que pareciam brotar por geração espontânea. Perguntar era inútil.

— O que é seu é seu. O que é meu é meu. Está certo.

Estava tão certo que eu já imaginava um juiz tentando entender a mesma lógica anos depois.

Com o tempo, percebi que havia patrões que administravam empresas e outros que administravam suspeitas. O meu parecia acreditar que funcionário satisfeito era um perigo para a economia da firma.

Mesmo assim, o comércio abria todos os dias. Clientes entravam, clientes saíam, mercadorias mudavam de lugar e nós seguíamos ali, sobrevivendo ao expediente com o humor que sobrava. Porque, quando o salário não faz rir, resta ao empregado rir da própria situação.

Foi nessa época que passei a entender meu pai.

"Estude."

Na adolescência, aquilo soava como conselho.

Depois de alguns anos atrás do balcão, virou tradução simultânea da vida.

E, enquanto eu conferia notas fiscais, organizava prateleiras e fazia contas que nunca fechavam para o meu lado, descobri que o trabalho ensina muito. Às vezes ensina uma profissão. Outras vezes ensina apenas onde você nunca mais quer trabalhar.

No fim do expediente, eu voltava para casa cantarolando, mais por ironia do que por talento:

"Eu vivo preso..."

E, por alguns minutos, a música parecia compreender o que nem o holerite conseguia explicar.

Música dos anos sacrificados..



♫Eu vivo preso

A sua senha
Sou enganado..

Eu solto o ar
No fim do dia
Perdi a vida..♫

10 comentários:

Fernanda Santiago Valente disse...

ai amiga, já trabalhei com TURCO. É assim mesmo... uó do borogodó. hehehehehehe.

Bom, etou tomando o rumo para a vida de solteira... é uma dor muito grande a separação, mas... às vezes Deus permite isso. Terei que entender...

beijos no coração. Deus te abençoe!

Anônimo disse...

Vc está trabalhando para um turco?
Dizem q é fogo mesmo,sangue suga para ser mais exata.
Que nada,as coisas vão melhorar ok.
Beijos minha flor.

Camila Almeida disse...

adorei seu blog, estou te seguindo! So nova por aqui! Siga-me tbm? bjs!

Lobo disse...

Chefe é tudo doido. A minha chefa vive me dando esporro, mas fico sabendo pelos outros que ela me adora, e se arrepende amargamente de ter passado algumas das minhas funções para outras pessoas... mereço? XD

Passando por aqui para retribuir a visita no uivos XD. Muito legal seu blog. Estou a te seguir!

Um beijo!

A.S. disse...

Pris...

Apenas deves ser prudente. Nunca confies em quem não conheces bem!

BjO´ss
AL

ONG ALERTA disse...

Sabe tudo pode ser aprendizado, paz.
Beijo Lisette

Tetê disse...

Pri... eu estou mijando de tanto rir... não da sua "desgraça", mas do fato de Maurício ser neto de turco! Meu sogro era filho de um turco mascate! Foi vendendo mercadorias de porta em porta que ele chegou ao norte do RJ e veio descendo até conhecer a filha de um salineiro aqui em Araruama e fazer um casamento milhionário! Quando o velho turco morreu, os filhos fizeram farra com a herança e só a filha mulher que era casada também com um salineiro é que conservou a fortuna. Meu sogro contava que o pai tinha os armários todos trancados a chave e meu sogro era um amor, mas também pão duro, regulado... Maurício só não é mais pão duro por falta de dinheiro. Se um dia tiver dinheiro, não vai negar o sangue turco! rs...rs...rs... Deus ajude que você se livre logo desse carma! Bjks Tetê

Sônia Silvino (CRAZY ABOUT BLOGS) disse...

A fama é realmente graaande, amiga!
Beijinhos, muitos!

Ronaldo disse...

oi querida,

patrão é patrão.

por sorte tive muito mais patrões bons do que ruins/chatos.

logo vai ter um bom patrão ;o)

bjssssss na mão

Priscila Rodrigues disse...

Obrigada, amores, vejo vocês nos seus.. ;)

Beijos.