24/10/2026

O Vestígio do Singular

 

Olho-me no espelho ao me despedir do dia e vislumbro, entre as sombras, o contorno daquilo que me falta. Depois de aquietar os anseios do corpo, persiste em mim uma inquietude desperta — como se eu buscasse, em outras peles e outras bocas, a intensidade rara de um encontro que não se deixa repetir: o vestígio de um desejo que só existe no singular.

Minha pele guarda o rastro de outros braços, o calor de outros sopros na curva do pescoço, o peso morno de mãos que tentaram, com generosidade e fôlego, me decifrar. Fui inteira em cada entrega; percorri os caminhos do desejo até onde me foi possível, deixei que me desnudassem os ombros e alcançassem, por instantes, as regiões mais secretas de mim. E, no entanto, ao fim da madrugada, quando o calor cede e a delicada tessitura dos corpos se desfaz, compreendi que não era ali que minha inquietude encontraria repouso.

Não há culpa nessa busca, tampouco desespero por reencontrar o que um dia me atravessou ou aquilo que ainda desejo conhecer. Entreguei-me ao vento e ao acaso, sem promessas de chegada. Conheço o peso do que desejo e a densidade do que sou; sigo entre encontros e possibilidades, sem saber se me aproximo de uma resposta ou apenas descubro novas formas de perguntar.

É preciso coragem para não confundir a passagem do tempo com uma promessa de chegada — e uma dose irremediável de volúpia para se permitir experimentar o outro, perder-se na textura de uma voz, na firmeza de um abraço, e ainda assim ter a altivez de recolher os próprios panos e partir quando falta o essencial. Para reconhecer o fogo exato que me acende, preciso antes tatear as faíscas que apenas me tocam. Ainda que uma parte de mim permaneça junto àquele que me fez vibrar sem sequer precisar me tocar, bastando chamar meu nome.

Não é pretensão; é fidelidade ao meu próprio relevo. Não me acomodo no morno, nem aceito o afeto que apenas preenche o espaço vago de uma cama. Procuro aquele atrito raro, uma colisão quase física de intenções, em que nada precise ser moldado ou perdoado para encontrar lugar. Cada encontro que não se sustenta não me empobrece: apura meu tato, refina meu paladar e me ensina a reconhecer, entre tantas nuances, aquilo que não me basta.

Se assim precisa ser, permitirei novas aproximações e o risco de outros toques. Não pela certeza ingênua de que exista um encaixe perfeito à minha espera, mas porque conheço bem demais o meu próprio querer para me entregar pela metade ou aceitar a incompletude como destino. Enquanto esse tremor irreconhecível não me atravessa por inteiro, prefiro a soberania da minha própria inquietação — e a liberdade de partir quando a noite termina.

O Destrancar da Porta... (Trilogia: O Conto)

 ... Ninguém sabe se ele atravessou.


Do lado de fora, a chuva fina apenas desbotava a iluminação da rua; dentro, o silêncio entre os dois pesava com a densidade dos desejos contidos. Ele mantinha os olhos fixos na curva do pescoço dela, como quem mede a distância exata entre o abismo e a tentação.

— Não me penses insensível ao que a tua pele pede — sussurrou ele, a voz rouca, presa na garganta por uma prudência que lhe parecia, a cada segundo, mais estéril. — Mas sabes do que nos cerca. Não me é dado o direito de avançar sem destruir o que me sustenta... nem de me afastar sem que me falte o ar.

Ela o escutou sem mover um músculo da face, a taça de cristal sustentada entre os dedos firmes. Havia na sua postura uma elegância quase glacial, se não fosse o brilho úmido dos olhos e o tremor sutil da respiração.

— Não te peço que destruas o teu mundo — respondeu ela, no tom brando de quem já não negocia a própria dignidade. — Mas também não me peças que habite o avesso das tuas escolhas. Do teu impasse, meu amor, não farei o meu teto.

Ele se aproximou. Um movimento lento, quase involuntário, vencido pelo magnetismo que as palavras dela só fizeram adensar. Com a ponta dos dedos, roçou o contorno do rosto dela, demorando-se na linha da mandíbula, ali onde a pulsação denunciava que a firmeza do olhar não era ausência de afeto, mas sobriedade.

— Tortura-me este limite — disse ele, a respiração rente à pele dela, aprisionado no atrito entre o dever e a vontade. — Não posso te oferecer o dia, e me recuso a te perder na noite. Se de mim te afastas, tudo se esvazia; se me aproximo, exponho-nos a um limite que não sei transpor.

Ela não recuou ao toque. Permitiu a invasão sutil, fechou os olhos por um segundo para acolher o calor conhecido daquela mão, mas não se curvou. Quando voltou a olhá-lo, a distância física era quase nula, porém um abismo invisível já se erguia entre os dois.

— O impróprio não me assusta; o pela metade, sim — disse ela, o tom pausado, de uma clareza cortante. — Não te exijo juramentos ou renúncias, mas tampouco aceito ser o intervalo em que te escondes quando o teu mundo te sufoca. Amo-te com a inteireza que mereço, e não será no teu cativeiro que diminuirei o meu querer.

A pausa voltou a dominá-los, densa como veludo molhado. Ele baixou a mão, sentindo o peso da própria covardia disfarçada de prudência. Queria partir para estancar a ferida, mas a simples ideia de não mais encontrá-la tornava o ar rarefeito. Queria ficar, mas faltava-lhe a audácia de pagar o preço daquela entrega.

— Não sei como voltar para casa sabendo que deixo aqui aquilo que mais desejo — murmurou ele, a voz rasgada pela melancolia.

— Pois não voltes fingindo que nada aconteceu — respondeu ela, levantando-se com a calma graciosa de quem toma para si a condução do próprio destino.

Caminhou até a entrada da sala. O som discreto de seus passos era o único ruído além da chuva lá fora. Ele permaneceu imóvel, acompanhando-a com os olhos, suspenso entre o que existia e o que poderia ter sido.

Com um gesto sereno, ela apoiou os dedos na maçaneta fria. Girou a chave. O estalido metálico do trinco ecoou pelo ambiente como um veredito sem violência. Não abriu a porta para que ele saísse, tampouco deixou a entrada entreaberta como em outras noites. Conservou-a fechada, mas destrancada.

— A saída está livre — disse ela, sem amargura, olhando-o com a profundidade de quem ainda o desejava por inteiro. — Não giro a chave para te trancar fora da minha vida, nem deixo a fresta para que olhes sem entrar. A decisão de entrar ou permanecer do lado de fora sempre foi tua. Mas eu já não te espero à entrada.

Ele a olhou novamente, com peito oprimido pela certeza de que a liberdade que ela lhe oferecia era, na verdade, o espelho exato da sua própria incapacidade de escolher. Não houve adeus definitivo, nem o fechamento violento de uma história. Apenas a passagem desimpedida, a porta destrancada e a serenidade de uma mulher que já não se demora onde não pode ser inteira.


O Cansaço de Permanecer... (Trilogia: A Crônica)

 

Deixei a porta entreaberta sem admitir que esperava. Nem sequer percebi o instante em que a abri; julguei apenas permitir que a brisa passasse, enquanto aguardava, em segredo, o sobressalto suave da tua presença.

Havia em mim a crença, ingênua e serena, de que o silêncio apenas resguardava o tempo de um chamado que viria à sua hora, como se certos encontros obedecessem à cadência natural das coisas destinadas a se encontrar.

Estreitei o tempo no aguardo de um sinal, convencida de que a omissão era resguardo, não esquecimento.

Aos poucos, contudo, a ausência transmutou-se em linguagem. O silêncio deixou de ser pausa e passou a constituir uma resposta inteira, mantendo aceso um diálogo que, sem que eu percebesse, se tornara monólogo.

Ofereci concessões, deixei espaços vazios que imaginei serem preenchidos por ti. Mas os passos não encurtaram a distância, e onde antes florescia a expectativa de aproximação instalou-se o peso denso de um cansaço sem repouso.

O vínculo se desfez justamente onde residia a ânsia de conhecer. O que poderia ter sido encontro tornou-se a solidão de quem, por tempo demais, sustentou sozinha a possibilidade de um nós. E, ainda assim, o desejo permaneceu intacto. Eis a contradição que me dilacera: o sentimento não se extingue no instante em que a espera se esgota.

Recuo não por haver deixado de querer, mas por reconhecer a impossibilidade de carregar, desacompanhada, o peso de duas existências. Há um luto miúdo pelo que se viveu, mas sobretudo pelo que nunca chegou a ser; pelo encontro que se desenhou em potência e que a omissão condenou ao abismo das palavras não ditas e dos passos que não vieram.

Foi preciso recolher os próprios anseios, um a um, e reconhecer que a delicadeza também tem limites. Depois de sucessivas e sutis desilusões, amadureceu em mim a necessidade de retroceder — não como quem renuncia ao que deseja, mas como quem se recusa a desaparecer dentro da espera.

Fecho a porta que por tanto tempo mantive entreaberta. Sem alarde, sem ultimatos, sem a certeza de que, do outro lado, alguém perceberá o discreto estalo da fechadura. Não giro a chave. Talvez por ainda existir em mim uma fresta de esperança; talvez porque nem toda despedida precise negar a possibilidade de um retorno. Mas já não permaneço à soleira, atenta a cada ruído, confundindo qualquer sopro com a chegada que imaginei.

Parto sem a farsa da indiferença. Não me exijo a frieza de quem finge nada ter sentido, tampouco busco no esquecimento uma vitória inútil. Fica a tristeza serena de quem precisou aceitar os limites de um sentimento que não encontrou correspondência, mas que, pouco a pouco, recupera o domínio dos próprios passos.

Se a memória conservar o rastro daquele abraço que não chegou a acontecer, no presente procuro sustentar a lucidez: deixo de esperar não porque tenha deixado de desejar, mas porque já não quero me demorar onde minha presença não encontra resposta.

A Elegância da Renúncia (Trilogia: A Poesia)


No espelho, a noite em sombras se derrama,
E aos meus lábios retorna o gosto ausente;
Guardo na pele o ardor ainda latente,
Enquanto o teu silêncio sufoca a chama.

Das horas que te dei desfaço o laço,
Recolho o que em mim deixei exposto;
Não levo aos teus, meu derradeiro rosto,
Nem peço ao teu silêncio algum abraço.

Se em minha carne teu vestígio perdura,
Não há de ser senhor da minha sorte;
Sei partir, embora o próprio adeus me corte,
Sem fazer da saudade uma clausura.

De seda e sombra visto a despedida,
E em meu silêncio a altivez recomponho;
Não te reclamo o que desejo e sonho,
Nem faço do teu querer minha medida.

Que fique entre nós o indizível perfume,
A voz suspensa, o gesto que não veio;
Deixo-te a noite, o espaço e o devaneio,
E em mim preservo o que a ausência não consume.

Não há rancor no adeus que não proclamo,
Nem faço da partida um modo de ferir;
O que não veio, não hei de exigir,
Pois livre sigo — e ainda assim te amo.

E se algum dia a tua lembrança me procura,
Que encontre em mim a mesma chama altiva;
Não mais à tua espera, mas ainda viva,
Senhora do desejo e da própria ternura.


12/10/2026

A porta não está trancada...

... é só entrar.

Se a multidão te exaure o espírito
e o silêncio é a tua única trégua,
que o teu sumiço seja refúgio, e não abismo.

Há um espaço em que o ruído perde a importância,
onde certas linhas permanecem inacabadas
e o silêncio não exige explicações.

Mas sabe que, do lado de cá,
as palavras permanecem tuas.

Quando os teus olhos se cansarem
e buscares novamente o mistério,
haverá sempre uma linha minha
esperando pelo teu regresso —
como quem guarda, em segredo,
o único lugar onde o mundo não machuca.

E se, ao retornar da tua própria ilha,
encontrares em meu texto o pretexto para ficar,
saberás que não escrevo para a multidão:
escrevo para as raras vertigens
de quem sabe ler nas sombras.

Sendo assim,
eu também retorno a organizar meus versos,
dar métrica a cada sílaba que me inspira,
dar forma a cada estrofe que me escapa
e rima a cada verso que me dispersa.

Recomponho os intervalos,
ajusto os silêncios,
enquanto tento convencer as palavras
de que toda desordem
pode encontrar, enfim, sua sintaxe
e que existe ordem naquilo que não termina.

Pode sumir do mundo.
Das minhas páginas, tu sabes o caminho de volta.

 

10/10/2026

O mosaico do vazio


O despertador toca. O dia amanhece.

Não há transição suave entre o repouso e a consciência: ela desperta já submersa, sem que tenha havido noite de tempestade ou ruína que explique o naufrágio.

Acorda para a existência como quem recebe uma conta vencida antes mesmo de o dia começar; um peso se instala sobre o peito antes do primeiro movimento.

Mas o mecanismo do mundo não tolera pausas. As horas sucedem-se, as obrigações reclamam cumprimento.

Ela se levanta, cumpre os ritos da aparência e da presença. Ninguém suspeita que, sob a impecável regularidade de seus gestos, uma estrutura inteira se desfaz em silêncio.

Porque ela sorri.

Não há, em seu rosto, tradução fiel do tumulto que a devora. A exaustão não lhe rouba os passos; transforma-os em travessias, cada movimento exigindo-lhe forças que já não sabe de onde extrair. E talvez seja justamente essa continuidade que a condene à invisibilidade: aos olhos alheios, quem permanece de pé não pode estar desmoronando.

Ela continua.

E, no silêncio em que se refugia, a solidão se mistura ao desprezo de si mesma por não conseguir confessar o vazio que a acompanha. Há um amargor que se deposita lentamente sobre as coisas, até lhes subtrair o sabor.

O que antes despertava curiosidade torna-se indiferente; o que outrora anunciava possibilidades já não acena com o futuro, senão com a repetição dos dias. O mundo conserva seus ruídos, suas cores, suas urgências. É ela quem, por dentro, perde a capacidade de alcançá-los.

Desfazem-se as esperanças, as certezas, os desejos, os fascínios e os êxtases. Em seu lugar, instala-se o medo de jamais reencontrar o caminho de volta à vida. O que resta é um vazio atravessado pelo desamparo, pelo desgaste emocional, pela apatia; uma sensação persistente de insuficiência, como se nada do que fizesse pudesse absolvê-la da própria inutilidade. E a mente, exaurida de sustentar o peso dos pensamentos, arrasta o corpo para o cansaço, até que até mesmo permanecer desperta se torne um esforço.

O vazio cresce para além de qualquer medida e corrói, pouco a pouco, o sentido das coisas. O olhar atravessa o mundo sem encontrá-lo; o corpo habita a própria existência sem nela se reconhecer. E, diante desse abismo de sombras, não se vislumbra margem, passagem ou sequer a promessa de um caminho de volta.

Mas o sorriso permanece.

Há palavras para o que sente, talvez. O que não há é a certeza de que alguém saberá ouvi-las sem tentar corrigi-las, diminuí-las ou apressar-lhe a recuperação.

Por isso, cala-se. Não porque nada tenha a dizer, mas porque o esforço de traduzir a própria agonia também a exaure. Há um grito inteiro aprisionado atrás de respostas banais, uma súplica disfarçada de rotina, um pedido de socorro que não encontra passagem entre o que sente e o que consegue revelar.

Eis sua solidão suprema: não a ausência física de outros corpos, mas o isolamento de quem se vê obrigada a habitar a própria mente como um quarto fechado. Do lado de dentro, a vida prossegue além das paredes; ela a escuta, talvez até a deseje, mas já não encontra forças para atravessar a porta.

Ela não precisa que lhe ensinem a sorrir, que lhe enumerem motivos para agradecer ou que lhe recordem tudo o que ainda consegue fazer. Precisa, talvez, que alguém desconfie da aparência de normalidade; que compreenda que a funcionalidade não é prova de serenidade, que a ausência de lágrimas não significa ausência de dor. Que há quem cumpra todos os deveres enquanto, secretamente, já não sabe como suportar o peso de existir. Alguém que compreenda que a produtividade pode ser apenas o disfarce mais refinado do desespero.

E o mais amargo é que, amanhã, ela provavelmente se levantará outra vez. Vestirá a roupa, organizará os pensamentos possíveis, responderá ao mundo com a voz de sempre.

O mundo reconhecerá nela a mesma mulher de ontem.

Ninguém haverá de compreender a causa desse eclipse íntimo, porque nem ela mesma encontra sentido para a sombra que a habita. Ainda assim, haverá de regressar. Não porque o vazio tenha desaparecido, nem porque a vida lhe tenha oferecido respostas, mas porque, em algum lugar de si, persiste uma força que a escuridão não conseguiu extinguir.

E, quando voltar a sentir o mundo para além da própria dor, talvez ninguém perceba. Alguém, porém, há de sorrir para ela sem lhe pedir explicações, como quem silenciosamente entenda e diz: que bom que você ficou. Eu sei o quanto lhe custou regressar à vida.


03/10/2026

O lugar que te pertence...

 ... enquanto ainda habitas em mim.


Há, no silêncio que entre nós se fez habitar, um desterro súbito que me paralisa a alma e retém os passos.

De minha parte, acenei com uma linguagem muda dos corpos e no tocar inadvertido dos dedos; na travessia demorada do olhar, desenhei a intenção implícita de amar-te.

Mede-se o meu amor pela mesma régua com que medes essa ausência: um abismo quieto, onde nem o teu procurar se faz ruidoso, nem o meu avanço se faz audaz.

Entretanto, enquanto cogito, guardo a espera: ordeno os dias e ornamento a casa da alma para que te seja abrigo.

Recuso-me ao gesto derradeiro das palavras; preservo velado o meu querer explícito, deixando as linhas em suspenso para resguardar meu espírito.

Ardem em mim vontades densas — o desejo vertiginoso de estreitar-te em um abraço longo, de perder as horas no fluxo contínuo de uma conversa inteira e intensa, de apenas escutar a gravidade da tua voz.

Não me aproximo sem que tua permissão seja a porta aberta, pois desconheço se o meu calor te é bem-vindo ou se preferes o teu próprio refúgio.

Então recuo.

O tempo, esse lento e febril erosivo, cobriu de névoa os traços exatos do teu rosto; já não consigo reconstituir com clareza a precisão das tuas linhas.

Contudo, em eco obstinado, a tua voz calma insiste em ressoar na penumbra dos meus pensamentos, pronunciando meu nome como se nunca tivesse partido.

E é talvez aí que a saudade se esconda: não naquilo que recordo de ti, mas naquilo que já não consigo lembrar sem desejar outra vez.

Ainda trago comigo cicatrizes antigas, marcas de outras lutas e mágoas que ainda pedem zelo; por isso, a travessia que rompe a distância precisa ser passo teu, convite manifesto para que eu permaneça.

Não adormeço minha vida à espera de sombras ou resquícios do teu tempo; tampouco busco a submissão de quem se rende ou se anula diante do outro.

Quero a altivez de estar apaixonada, o entrelaçar vivo em que não te tornas o meu centro, mas acrescentas a tua existência ao meu horizonte.

Esperarei, pois, que tua voz rompa o jejum das tuas procuras e reclame o lugar que te deixei aberto.

Ou partirei deixando meus vestígios; versos e prosas gravados em livros, denunciando a imensidão do meu amor e o quanto fui, por ti, desconhecida.