Há noites, um vazio em que o juízo me cala.
Rejeito o sono, negocio com a lucidez, perco a razão.
Faço do meu desejo um altar secreto e clandestino.
Procuro na memória o tom perfeito da tua voz,
que me desnudava devagar depois que eu falava
Revivo a vertigem do teu abraço apertado,
que me fez renunciar à compostura, ao limite
só para sentir o teu calor, teus braços em minha cintura.
Invento na mente o percurso das tuas mãos,
em cenários que só a noite ousa revelar.
Entrego meus impulsos a essa tentação,
tão fina quanto feroz.
E suplico ao tempo,
pela urgência do teu toque.
nem encontro palavras que não tremam.
Porque há desejos que não cabem em versos.
E há nomes que desorganizam a poesia,
a rima,
a mente,
o controle,
o silêncio,
a ordem,
a sintonia,
(...)
A razão!
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