13/05/2009

Amor no Campo




Manhã de sexta-feira no sítio de seu Manoel.

O sol ainda subia devagar, espalhando luz sobre o curral, os cavalos inquietos e o cheiro de terra úmida que tomava o ar. Foi nesse cenário simples que Márcio apareceu — vindo da cidade, com sua câmera pendurada no pescoço e um olhar curioso, daqueles que procuram beleza onde ninguém mais repara.

Entre um enquadramento e outro, foi interrompido por algo que não cabia em lente alguma.

Ela.

Maria das Graças.

De vestido leve, passos tímidos e um jeito silencioso de quem pertence àquele lugar, mas ainda assim parecia destoar — como se carregasse uma delicadeza que o campo não explicava.

Antes que ele lhe dissesse “muito prazer”, ela saiu correndo, com seus longos cabelos ao vento direto pra casa.

Numa noite de lua cheia, Maria já não tinha espaço para mais nada além de Márcio. Em seus pensamentos de menina, ele tomava a forma de um príncipe encantado. Ao revelar suas fotos, ele percebeu o quanto ela era fotogênica. Seus traços de garota do campo davam leveza às imagens, transmitindo paz e tranquilidade.

Cheia de esperança, Maria pulou a janela de seu quarto e seguiu em direção ao local onde encontrou Márcio pela primeira vez. Perfumada, pois tinha ganhado uma água de cheiro de seu padrinho no aniversário de 15 anos, não deu espaço ao medo e foi atrás do rapaz bonito, tentando descobrir o significado da palavra amor. 

Chegando ao lugar, uma lágrima escorreu pelo rosto de Maria por não encontrar seu príncipe. Arrasada, deu meia-volta. Caminhava com o rosto voltado ao chão quando, ao erguer a cabeça, se surpreendeu.

Lá estava ele, sorrindo para ela. Aproximou-se devagar e, com um gesto delicado, tocou seu rosto, afastando uma mecha de cabelo que caía sobre seus olhos. Maria não recuou.

Então, ele a beijou.

O beijo veio quase como um segredo — hesitante no início, mas logo tomado por uma intensidade que Maria nunca havia sentido. Seu corpo respondeu antes mesmo que ela entendesse, e o mundo ao redor pareceu se dissolver naquele instante.

As mãos dele a envolveram com firmeza, enquanto a conduzia com suavidade até a palha. Maria sentiu o calor subir pelo corpo, o coração descompassado, a respiração curta. Havia medo, mas também havia entrega — uma vontade silenciosa de não interromper aquele momento.

E ali, sob o céu aberto, entre o cheiro do campo e o som distante da noite, Maria atravessou, pela primeira vez, o limite entre o sonho e o que ela ainda não sabia nomear.

Maria escolheu viver aquele instante. No silêncio do próprio coração, decidiu seguir sem medo — fosse aquela a primeira vez de muitas, ou a única de sua história.
Naquela noite, enfim, descobriu o amor — ou pelo menos o que ele a fazia sentir.