21/05/2009

Romantismo ou estratégia?




Hoje nos perguntamos se ainda existe romantismo nas pessoas, principalmente nos homens, que são vistos como menos sensíveis do que nós, mulheres.

Sempre nos deparamos com um “Don Juan” em alguma situação: um olhar sedutor, uma voz envolvente, um brilho que encanta e envolve.

Ele oferece uma carona, um passeio, uma ida ao cinema. Quando aceitamos, abre a porta do carro, pergunta sobre a vida, sobre os planos, e depois nos deixa em casa. Não se passam quinze minutos e o celular toca: é ele dizendo “boa noite”.

No dia seguinte, despertamos com uma mensagem: “Bom dia, dormiu bem?”

Após alguns dias de convívio, é fácil se deixar levar. A sintonia parece natural, quase inevitável. Quem resistiria?

Mas, em pouco tempo, ele começa a se afastar. Está ocupado demais, com trabalho, estudos, compromissos inesperados, visitas familiares que surgem de repente. Entre uma justificativa e outra, desaparece.

Seria falta de percepção da mulher? Imprudência? Ingenuidade? Ou apenas o reflexo de expectativas mal alinhadas?

A cada ano parece mais difícil compreender as dinâmicas afetivas, ou talvez esteja tudo mais simples — e o que se perdeu foi o exercício da conquista e da clareza.

Não podemos ignorar também o comportamento contemporâneo das relações, que parece ter se tornado mais veloz, mais líquido. Talvez isso seja contagioso.

A verdade é que os tempos mudaram, mas algumas necessidades permanecem. Falta diálogo. Falta, antes de tudo, a disposição de compreender o outro em sua essência.

Todos temos a capacidade de amar e ser amados. Buscamos alguém que faça sentido ao nosso olhar, ao nosso toque, ao nosso cotidiano. Não importa se é um grande gesto ou um detalhe simples: o que se deseja é verdade.

Romantismo não tem fim, não pertence a um tipo específico de pessoa, nem a uma classe ou contexto social. Ele está no olhar, no toque, no silêncio compartilhado.

Não é difícil distinguir uma aventura de um vínculo verdadeiro — o difícil, muitas vezes, é sustentar a honestidade do que se sente.

Abrir o jogo talvez seja a forma mais madura de viver relações: com intensidade quando possível, e com leveza quando necessário.

Homens e mulheres apenas precisam ser claros. E humanos.

E sim — ainda gostamos de flores.


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