Muitos, quando amam, escolhem não ver.
Amenizam o que incomoda, silenciam o que fere, evitam o conflito para preservar a ideia de um amor que, na prática, já não é leve. Aceitam o controle disfarçado de cuidado, o ciúme travestido de zelo, as perguntas constantes que mais parecem vigilância do que interesse.
E assim, constroem um mundo a dois — fechado, limitado, sufocado.
Ainda assim, acreditam que isso é amor.
Mas será?
Amor, ao menos para mim, sempre foi outra coisa.
É liberdade sem afastamento.
É presença sem prisão.
É conversa, compreensão, companhia — e também espaço.
Amar não deveria significar perder o próprio ar.
No entanto, o que muitas vezes se vê é o contrário: relações guiadas pelo medo de perder, pela insegurança, pela necessidade de controlar o que não se sustenta sozinho.
Chamam isso de intensidade.
Chamam isso de cuidado.
Eu chamo de falta de liberdade.
Porque quando o amor precisa de vigilância para existir, talvez ele já não esteja mais ali.
E, no fim, talvez seja isso:
Amor não é garantia.
É sorte.

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