Em meu quarto, a chuva parecia prestes a começar. Uma brisa fria atravessava a janela entreaberta, anunciando uma noite vazia. Eu permanecia sob o lençol aquecido com meu corpo.
Inquieta e sonolenta, deixei-me levar, pausando os momentos alucinantes, sobrepondo o real no imaginário, abrindo o portal de uma viagem mística — algo próximo do que chamam de viagem astral.
Apenas a luz da lua cheia iluminava o quarto escuro. O vento fazia sons leves entre as árvores do lado de fora, compondo uma melodia distante.
Quando ouço lá do fundo dos meus sonhos reais um barulho, um ruído.
Sem forças para me levantar, como se eu estivesse enfeitiçada, permaneci quieta, embriagada desta noite alucinante.
Eu, sonolenta, não sabia distinguir entre o medo e o desejo.
O som se aproximava.
Senti meu coração acelerar, minha pele arrepiar e o colchão afundar. Uma brisa fria me descobria, com início em meus pés, subindo como se fosse uma mão suave tocando meu corpo.Eu, sonolenta, não sabia distinguir entre o medo e o desejo.
Parecia que meu temor o atraia e meu desejo o seduzia. Meu corpo quente entre aquele corpo frio me confundia. A única lucidez que, em mim, havia era de não querer que essa sensação terminasse.
Então senti seus lábios.
Um beijo silencioso, profundo, inexplicável e apaixonante. Logo após, em meu pescoço uma mordida suave e envolvente, o saciando à vontade de sugar o meu sangue que se escorria por minha veste vermelha de seda.Deixei matar sua sede, seus desejos, até o ultimo gole que o acalmava.
Ao abrir meus olhos, deparei-me com os dele: verdes e serenos. Olhei em seus lábios, vermelhos de meu sangue, passando a língua entre os dentes com um ar faceiro.
Sua pele, branca e fria, o realçava entre seus cabelos negros.
Já não tinha mais forças para perguntar qual o seu nome. Nem de onde vinha. Nem por que havia me encontrado.
Já não tinha mais forças para perguntar qual o seu nome. Nem de onde vinha. Nem por que havia me encontrado.
Ele apenas se afastou em direção à janela.
E desapareceu.
Fiquei ali, suspensa entre o êxtase e a ausência, como se algo em mim tivesse sido despertado e deixado incompleto.Amanheceu.
Eu acordei com meus dentes afiados e com um único desejo: que à noite venha a calhar e devolva esta sensação enigmática de emoção e prazer, pois minha sede é somente de seu corpo.
E desde então, deixo a janela aberta.
Todas as noites.
Como se ainda houvesse algo esperando o retorno daquilo que não sei nomear.
2 comentários:
Minha nossa ...
Onde fica esta janela ???
o.O
Rs rs..
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