Apesar da minha ausência por aqui, não poderia deixar de fazer meus votos aos amigos para 2010 — e de deixar também uma reflexão sobre esses desejos tão comuns e, ao mesmo tempo, tão automáticos de fim de ano.
O Natal passou. Como todos os anos, o chamado “espírito natalino” parece tomar conta das pessoas, como se por alguns dias fosse possível suspender o peso do cotidiano. Conflitos familiares diminuem (ao menos temporariamente), desavenças são colocadas de lado, e até aquele vizinho incômodo parece menos incômodo — desde que seja dezembro.
Seria o clima das férias que muda tudo?
Os presentes? O 13º salário? A cidade iluminada?
Talvez tudo isso junto. Ou talvez apenas a sensação coletiva de pausa.
Mas é curioso como esquecemos rapidamente o que esse período simboliza.
O Natal, para além do consumo, das mesas fartas e dos rituais sociais, é lembrado como o nascimento de Cristo — um convite à reflexão, à humildade e ao recomeço interior.
Ainda assim, ao longo dos anos, a data foi sendo absorvida por outros significados: compras, encontros, promessas e expectativas que duram pouco além do calendário.
A solidariedade aparece em dezembro como se tivesse data marcada. E desaparece logo depois.
Por que não ser assim em janeiro, fevereiro, março…?
Seria mais honesto. Mais real.
O amor ao próximo, que um dia foi ensinado como princípio, hoje parece sobreviver em pequenos gestos dispersos, quase acidentais. E ainda assim, são esses gestos que sustentam alguma esperança.
Não nego meu olhar crítico sobre a humanidade. Mas, em algum lugar mais silencioso, ainda existe a crença de que é possível mudar o curso das coisas.
São poucas as pessoas que carregam algo genuíno — e talvez sejam justamente elas que mantêm algum equilíbrio nesse mundo tão repetitivo.
Para este novo ano, desejo menos automatismos e mais presença.
Menos promessas e mais continuidade.
Menos datas especiais e mais constância.
Que 2010 não seja apenas uma repetição de intenções, mas um início mais consciente para quem ainda acredita em mudança — seja ela pessoal, profissional ou afetiva.
E que, acima de tudo, não precisemos esperar dezembro para lembrar do que importa.
4 comentários:
Gostei de sua ideia.
Que realmente isso aconteça.
FELIZ ANO NOVO QUERIDA PRISCILA!
Beijos.
Obrigada, querido.
Que venha 2010 para dar o que faltou em 2009.. =)
Beijos.
Parabéns, vejo que a cada dia tem mudado sua maneira de enxergar a vida. Sempre pra melhor !!!
Continue em 2010 o que iniciou quando veio a este plano.
Oi, querido.. =)
Não será eu me expressando somente agora?
E ainda tem mais surpresas, me aguardem.. rs rs.
Beijos e obg pela visita!
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