Depois de quarenta anos, minha avó resolveu reformar a casa. Queria modernizá-la: novas cores, novos azulejos, novos pisos. Ela não estava em ruínas. Pelo contrário, ainda era bonita, arejada e acolhedora. Mas, como acontece com tantas casas, chegou o tempo da mudança.
Como estou lá todos os dias, acompanho o pedreiro em cada canto. Observo enquanto ele quebra paredes, corrige imperfeições, muda ângulos, amplia espaços e transforma a aparência de cada cômodo.
Enquanto ele trabalhava, imaginei meu avô construindo aquela casa. Eu ainda nem existia quando ela foi erguida, mas, a cada parede derrubada, era como se eu enxergasse o suor dele misturado à argamassa.
Quando o pedreiro retirou a primeira camada do piso, revelou um antigo revestimento de barro, escondido havia tantos anos. Meu avô já o havia substituído uma vez. Mesmo assim, aquele chão permanecia ali, silencioso, guardando uma parte da história.
Ao ver os antigos cacos avermelhados, meus olhos se encheram de lágrimas. Não resisti. Tirei os sapatos e caminhei descalça sobre eles.
Foi uma sensação difícil de explicar.
Por alguns instantes, senti como se meu avô ainda estivesse ali. Como se o tempo tivesse voltado e eu fosse apenas uma menina correndo pelo quintal, brincando entre as sombras da varanda e colhendo as uvas da velha parreira que cobre parte do terreno.
Doeu vê-la servir de abrigo para os entulhos da reforma, soterrada por pedaços de pisos e revestimentos quebrados.
A reforma não apaga a saudade do meu avô, nem as lembranças que vivem naquela casa. Mas confesso que, a cada tijolo retirado e a cada piso arrancado, senti como se uma pequena parte de mim também fosse removida.
Já não é a mesma casa onde, quando morava nos fundos, eu corria todas as manhãs para encontrar minha avó.
Meu avô partiu há vinte e três anos. Eu tinha apenas dois e não pude conhecê-lo de verdade. Ainda assim, cresci ouvindo o quanto ele me amava. Talvez seja essa a razão da ligação tão profunda que sinto por aquela casa, construída por suas próprias mãos.
O que me consola é saber que a velha parreira continua de pé.
Todo fim de janeiro, quando eu colher seus cachos de uva, sei que levarei comigo um pedaço da memória do meu avô.
E, um dia — que Deus permita estar muito distante —, também da minha avó.

21 comentários:
ue homenagem linda Pri. Sabe, meu avô também foi pedreiro... ele que construiu a casa dele. Hoje, meus avós moram em outra casa, que não foi construida por eles... sinto muitasaudade da velha casa.
um beijão amiga
Olá!
Vim conhecer o teu espaço, gostei e estou te seguindo com prazer!
Convido você a conhecer os meus blogs. Ficarei muito feliz!
Sônia Silvino's Blogs: vários temas e um só coração!
Bjkas, muitas!
Me deu vontade de chorar. Me lembrei da minha primeira escola. Ficava num lugar cheio de ávores e tinha um instituto estilo Butantã, onde tinha umas cobras. Era um lugar lindo. Mas acabaram com tudo, escola, árvores, cobras... No lugar construiram um conjunto habitacional horrível, só concreto, onde tive o desprazer de morar durante um ano. Pena que o que é sagrado para alguns não signifique nada para outros... bjs do seu fã...
Querida amiga Priscila.
Com o fragmento da sua história, lá naquele comentário, eu me senti no seu lugar, quando você, aos sete anos, mudou-se desse espaço mágico das uvas, dos coelhos, e da sua amada avó. Vim emocionada, e ao chegar, deparo com essa sua narrativa, descortinando mais um pouco das suas emoções!
Essas lembranças reforçam os laços, e frutificam cada vez que vêm à tona.
Muito obrigada por compartilhar conosco, o que lhe é sagrado.
Beijos no coração, amada.
Linda, você com quatro anos. Parabéns!
Linda menina, boas lembrasnças sempre ficam em nosso coração, paz.
Beijo lisette.
Algumas coisas na vida da gente tem bem mais sentimentos do que se pode parecer,,,uma lembrança de infancia ou até mesmo uma lembrança em sentimentos de algo que nao chegamos a conhecer,,,adorai seu blog,,,sempre gostoso ler historias assim,,,obrigado pela sua visita,,,e a nossa amiga Perola é uma linda alma,,,,,beijos de otima noite,,,passo a te seguir tambem,,,virei mais vezes,,,volte sempre...
Que lindo!
Lembrei dos meus avós!
Nossa Priscila, me emocionu sua história, não conheci meus avós, mas, acredito que é dessa maneira que as pessoas pepertuam em nossos corações.
Que menina fofinha desta foto rsrs...
Um grande beijo.
Um beijo carinhoso de otimo final de semana pra ti amiga.
Vc era linda,que fofa!!!
Adorei o seu relato.
Obrigado minha bela pela visita.
Estou meio devagar mas eu venho ok.
Beijokas.
huauuuuuuuuu que pedaço de vida emocionante, e tu era uma menininha muito linda e se tornou uma formosa mulher. Olha amiga andei aperriada e sumida, mas não te abandonei não vamos logo logo colocar as fofocas em dia do msn viu? mas por hj vai lá no happy hour da ilha, que tem niver por lá. te espero. Mil beijos cor de rosa!
Querida... obrigada pela visita ao Livre Pensamento! Fico feliz de encontrar você por lá! Uma lembrança gostosa... eu senti isso há pouco tempo quando passei diante da nossa primeira casa aqui em Araruama. Parei, fiquei olhando, vi meus sobrinhos pequenos correndo na varanda... é gosotoso! Coisa mais fofa você, Pri... Dá vontade de apertar! Bjks e bom final de semana Tetê
O amor do Senhor Deus não se acaba
e a Sua bondade não tem fim.
Esse amor e essa bondade são
novos todas as manhãs;
e como é grande a fidelidade do Senhor!
Um abençoado final de semana.
Obrigada pela sua linda amizade.
Beijos no coração ,Evanir
www.fonte-amor.zip.net
Uma fofa quando pequena, Priscila! Olha, seu texto hoje mexeu com minhas emoções e tbém me trouxe lembranças, eu era muito apegada ao meu pai que já partiu..o que me conforta é a esperança de tornar a vê-lo um dia...mas um dia distante, pque ainda quero viver muito!! kkk meu paisinho há de me esperar! Um milhão de beijos, querida amiga, saiba que sempre lembro de vc! :-)
Deixando pra ti amiga um beijo carinhoso pra desejar uma bela semana em paz e carinho.
Passei para lhe agradecer, e para desfrutar do seu cantinho.
Um grande abraço, amiga Priscila.
Tenha uma ótima semana, com a graça de Deus.
Passei para lhe dar um abraço.
Muitas felicidades!
Obrigada pelo carinho, meus queridos. Já estou lá no de vocês.
Beijos..
Uma passadinha não custa nada.
Que bom os que puderam crescer juntos aos avós, somos privilegiados.
Um abraço
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