Nos últimos dias, Peterson e Alexandra pareciam viver uma fase em que qualquer conversa terminava em discussão.
Depois de oito anos juntos, pequenas diferenças começaram a ocupar espaços maiores: os horários de trabalho, os encontros com os amigos, a vontade de construir uma casa, os planos para o futuro.
Ele sentia que ela cobrava uma presença que nem sempre conseguia oferecer.
Ela sentia que ele oferecia ao mundo um tempo que já não sobrava para ela.
Chegaram ao restaurante onde haviam combinado de se encontrar naquela noite. Sentaram-se sem o habitual carinho, sem perguntas sobre o dia, sem aquele olhar que antes dizia tudo.
Jantaram em silêncio.
Antes de sair, quase ao mesmo tempo disseram:
— Precisamos conversar.
Alexandra respirou fundo.
— Acho que não consigo mais continuar assim. Não adianta conversarmos, porque sempre voltamos aos mesmos lugares. Eu sinto falta de você, da sua presença, da sensação de que ainda fazemos parte da mesma vida.
Peterson abriu a boca para responder:
— Eu só queria que você...
Ela o interrompeu.
— Não precisa dizer nada.
E foi embora.
Mas ele precisava dizer.
Ele não voltou para casa. Procurou os amigos de sempre, tentou distrair a cabeça, mas nenhuma conversa conseguia afastar Alexandra dos seus pensamentos.
Não queria terminar.
Não queria perder oito anos.
Tentou ligar, mas ela não atendeu.
Enquanto isso, Alexandra caminhava até a casa dele.
Ela também não queria terminar.
Só queria que ele percebesse.
Quando Peterson finalmente chegou em casa, estava cansado, triste e arrependido.
Queria abraçá-la.
Queria dizer que tentaria.
Que algumas mudanças eram necessárias.
Entrou distraído e não percebeu a garrafa de champagne e as duas taças sobre a mesa.
Ao sair do banho, encontrou Alexandra em seu quarto.
Ela vestia apenas um robe branco e sorria.
Por um instante, ele esqueceu todas as palavras que havia preparado.
Apenas a abraçou.
— Eu sinto muito.
Ela passou a mão em seu rosto.
— Você sabe que não precisa ser perfeito, não é? Eu não quero mudar quem você é. Eu só queria sentir que ainda tenho um lugar na sua vida.
Ele sorriu, aliviado.
— Você me assustou.
Ela riu.
— Às vezes precisamos lembrar o quanto queremos alguém antes de perceber o quanto temos medo de perder.
Ele concordou.
— Nós ainda vamos brigar. Vamos discordar. Vamos nos irritar por coisas pequenas. Mas talvez o amor não esteja em nunca ter problemas. Talvez esteja na vontade de continuar escolhendo um ao outro.
Ela o beijou.
E pensou:
"Funcionou. Agora só falta convencê-lo do cachorro."

4 comentários:
Ah... o que a gente não consegue entre lençois perfumados? Pri, obrigada pela visita ao Livre Pensamento! Bjks Tetê
Pri, sou sua fã!!!
Uma semana maravilhosa para Você =)
Deus te abençoe.
Beijão.
Por amor se consegue tudo nessa vida...beijos de bom dia pra ti amiga.
Na cama tudo se resolve...
:)))
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