04/04/2012

Salto alto do Cupido



Era uma quarta-feira comum quando Luciana decidiu passar no bar depois do trabalho.

O lugar era conhecido, as mesas eram as mesmas, as conversas também. Naquela noite, apenas Paulinha estava por lá, dividindo as preocupações de sempre.

Quando decidiu ir embora, Luciana se levantou distraída. Em uma virada desajeitada de seu salto, perdeu o equilíbrio e caiu nos braços — ou melhor, no colo — de um desconhecido sentado à mesa ao lado.

Por um instante, o tempo pareceu diminuir.

Com o rosto corado e completamente sem reação, conseguiu apenas dizer:

— Desculpa.

Foi quando percebeu os olhos verdes que ainda não tinha notado.

Por alguns segundos esqueceu que estava no colo de um estranho.

Ao voltar à realidade, levantou-se rapidamente, ajeitou suas coisas espalhadas pelo chão e tentou recuperar a dignidade.

Paulinha assistia à cena em silêncio.

Não sabia se ajudava ou se ria.

Optou por observar. Afinal, algumas cenas merecem plateia.

O homem sorriu enquanto recolhia as pastas dela.

— Prazer, sou Alexandro.

Havia naquele sorriso uma tranquilidade de quem não se importava se aquela conversa começaria em uma cadeira ou em seu próprio colo.

Luciana não estava procurando por encontros naquela noite. Era apenas uma quarta-feira cansativa, daquelas em que tudo que se deseja é descansar a cabeça.

Mas também não era mulher de ignorar uma boa coincidência.

Deixou seu cartão sobre a mesa.

— Quem sabe a gente se encontra por aí... ou por aqui. Sexta-feira costuma ser mais tranquila.

Alexandro sorriu.

Talvez o salto tivesse feito mais do que derrubá-la.


Na sexta-feira, Luciana e Paulinha saíram do trabalho e passaram em casa antes de voltar ao bar.

Depois de um longo banho, escolheu seu vestido preferido e, claro, o salto que sempre fazia questão de usar.

Chegaram ao lugar de sempre, agora com música, movimento e mais tempo para conversar.

Ao perceber que o garçom demorava, Luciana foi até o balcão buscar sua bebida.

Quando voltou, virou-se distraída.

E perdeu novamente o equilíbrio.

Dessa vez, não caiu no colo de um desconhecido.

Caiu nos braços de Alexandro.

Ele havia acabado de chegar.

Paulinha?

Bom...

Paulinha sempre soube quando deixar o destino fazer seu trabalho.


A trilha sonora

Soneto do teu corpo - Leoni

2 comentários:

La Gata Coqueta disse...



He escrito este pequeño texto:

Para poner de manifiesto el anhelo que con humilde decisión ha brotado del interior del alma.

Al querer compartir estos días de Semana Santa contigo, unidos por la corriente de la paz y la razón del amor entre todos los seres de luz que pueblan el planeta.

Un abrazo para saludarte
Un beso para acompañarte.

María del Carmen



JLynce disse...

É só para agradecer o teu comentário e dizer-te que vou tomar a liberdade de colocar o teu link no meu blogue.
Beijinhos e boa Páscoa, simpática.
:)))