... é só entrar.
Se a multidão te exaure o espírito
e o silêncio é a tua única trégua,
que o teu sumiço seja refúgio, e não abismo.
Há um espaço em que o ruído perde a importância,
onde certas linhas permanecem inacabadas
e o silêncio não exige explicações.
Mas sabe que, do lado de cá,
as palavras permanecem tuas.
Quando os teus olhos se cansarem
e buscares novamente o mistério,
haverá sempre uma linha minha
esperando pelo teu regresso —
como quem guarda, em segredo,
o único lugar onde o mundo não machuca.
E se, ao retornar da tua própria ilha,
encontrares em meu texto o pretexto para ficar,
saberás que não escrevo para a multidão:
escrevo para as raras vertigens
de quem sabe ler nas sombras.
Sendo assim,
eu também retorno a organizar meus versos,
dar métrica a cada sílaba que me inspira,
dar forma a cada estrofe que me escapa
e rima a cada verso que me dispersa.
Recomponho os intervalos,
ajusto os silêncios,
enquanto tento convencer as palavras
de que toda desordem
pode encontrar, enfim, sua sintaxe
e que existe ordem naquilo que não termina.
Pode sumir do mundo.
Das minhas páginas, tu sabes o caminho de volta.
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